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sábado, 24 de março de 2012

frases de chico anysio

Gostaria de registrar minha admiração e respeito por Chico Anísio. Como todo gênio, foi incompreendido em muito momentos da sua vida. Deixou um legado importantíssimo para a cultura popular no Brasil. Afinal nada mais popular e democrático que a televisão. Deixo meu carinho, em especial, para meu amigo Bruno e para todos os familiares do Chico. palavras de Luciano Huck, no facebook.


"De 1957, quando entrei na televisão, até 2002, quando extinguiram meus programas [a 'Escolinha do Professor Raimundo' saiu do ar em dezembro de 2001], sempre fui líder de audiência. Não sabia o que tinha feito de errado. Passei dias pensando em todos os diretores da Globo, um por um, para tentar chegar a quem teria me boicotado. Também pensei que os irmãos Marinho não gostavam de mim. Se o pai deles estivesse vivo, eu não teria saído do ar." - na "Veja", em julho de 2011

O meu programa durante 35 anos esteve semanalmente no ar e era absolutamente crítica social. Eu sempre defendi o pobre, o preto, o nordestino, o retirante, o mendigo, o preso, o esfarrapado. Então, rico, nos meus programas, sempre fez papéis ridículos, nunca fiz um rico que se desse bem no meu programa. Era uma maneira de dar um sonho, que fosse, para o povão que vê o programa." - no "Roda Viva", em 22 de junho de 1993

"Eu digo sempre que, se eu fosse viver outra vez, eu faria tudo como fiz, apesar de ter feito muita bobagem na vida, mas não fumaria mais. É a única coisa de que me arrependo, e me arrependo muito." - no programa "Conexão", do radialista Elias Teixeira, em 2007

"Em 1948, Haroldo Barbosa, Antônio Maria, Jota Ruy, eu e outros combinamos que o nosso humor, o humor brasileiro, seria o de quadros e personagens que se repetem semanalmente. Não é novo nem velho. É o humor que existe. Ele não tem que ser julgado por ser novo ou velho, mas por ser bom ou ruim." - na reportagem, em 25 de março de 2007

"Mesmo quando sofri uma punição severa [da Rede Globo] por uma crítica mal entendida, minha relação continuou muito boa. Vejo a Globo como um prolongamento da minha casa. Tomo conta dela o quanto é possível." - na "IstoÉ Gente", em 30/4/07

"Não vejo TV aberta, porque tenho proibição contratual de não poder comentar sobre outros programas. Então, para não me ver tentado a fazer comentário, não vejo TV. Mas digo uma coisa: não existe humor novo. Existe humor engraçado e sem graça. O humor novo é uma bobagem. Se os Três Patetas aparecessem hoje, eles seriam engraçadíssimos." - na Folha, em 22/3/09


"Não tenho raiva nenhuma da Globo. Eu sou global, e sempre serei o mesmo ator global, desde 1969. 'Chico Anysio Show' esteve 39 anos no ar, mudando de título, mas, no fundo, a mesma coisa: meus tipos e eu - uma fórmula que, graças a são Francisco de Assis, sempre deu certo." - último post em seu blog, em 27/11/10


"Sempre achei que a Globo me daria um cargo de supervisor de seu humor. Não aconteceu. O diretor que exerce a função que eu almejava é o Guel Arraes. Não tenho queixas dele, mas acho que seu humor não é popular como deveria ser." - na "Veja", em julho de 2011

"O humor é irmão da poesia, o humor é quem denuncia. Eu não tenho a possibilidade de consertar nada, mas eu tenho a obrigação de denunciar tudo, porque essa é a obrigação primeira do humorista. O humor é tudo, até engraçado." - no "Fantástico", em 28/8/2011

"No teatro, você pode ser todo dia a mesma coisa, porque a plateia muda. Na televisão é o oposto, você tem de mudar, porque a plateia é a mesma. E essa plateia é exigente, mas ela recompensa a gente" - no "Fantástico", 2011

frases de chico anysio

OLHA O OUTONO AÍ, GENTE


FERNANDO BRANT

Publicação: última página do caderno CULTURA do jornal ESTADO DE MINAS de 21/03/2012

O frio que faz lá fora costuma bater na alma. E o agasalho que cobre o corpo não aquece o coração nesses momentos. Examinando bem, é apenas um arrepio de susto, que logo passa. A vida segue seu rumo, as nuvens logo se afastarão e trarão o outono, que por nossas bandas prenuncia meses e dias de muito sol, muito azul. Manhãs exuberantes de abril, tardes límpidas de maio, noites aconchegantes de junho.

A vida segue seu curso, as pedras ficarão pelo caminho e nós voltaremos a cantar debaixo do flamboyant, celebrando a amizade, a comunhão e a ética, na festa de brasilidade. Debaixo dessas árvores, dentro da casa e de seus salões, há muita música e pessoas de bem convocadas para celebrar a existência digna.

Sou hóspede antigo desta casa brasiliense acolhedora. As conversas que essas paredes testemunharam são histórias de inteligência, talento, carinho e afeto por um país que todos amamos e queremos melhor para todos. É o lugar ideal para a conspiração dos poetas, o delírio dos loucos sadios e, ao mesmo tempo, ponto de referência da lucidez e da sabedoria. Um espaço de democracia e esperança, banhado muitas vezes por arroubos de fé.

É esta a morada que almejo para todas as estações, do ano e da vida. Não consigo, por mais que tente, assumir o pessimismo de Brás Cubas. Sou um otimista renitente, capaz de enxergar na bruma da noite o raio de luz que anunciará o dia.

Defeito de fabricação não é, pois Vinicius já dizia que é melhor ser alegre do que triste e a alegria é a melhor coisa que existe. Ao contrário, confesso me sentir muito benfeito e criado, fruto de uma família de gente simples, estudiosa e correta, que foi vencendo os obstáculos sem reclamar. Se faz frio, pego um cobertor. Se chove, guarda-chuva. Se está quente, água fria e cerveja gelada.

Descanso nos ombros das pessoas de quem gosto, me envolvo em conversas animadas a futebol, política e outras amenidades. Fosse só isso, seria um desperdício. Mas há as questões relevantes das ideias sobre a humanidade e uma vontade de contribuir com um pouco de beleza para a existência dos semelhantes. Olho para minha biblioteca e constato mais uma vez que eu deveria arquivar o leitor comprador e incentivar o leitor ledor. Quanta sabedoria e poesia nos volumes que tenho à disposição nas estantes. Nem li livros que, nessa altura da vida, deveria estar relendo.

Se, como diz Brás Cubas, cada estação da vida é uma edição que corrige os erros da anterior, aproveito essa passagem do verão para o outono e volto a me prometer mais leitura gratificante, mais música no meu som e mais cinema em meus dias. E continuarei cada vez mais fora de moda.

OLHA O OUTONO AÍ, GENTE